Os dias são outono

Longe de ti são ermos os caminhos... Longe de ti não há luar nem rosas... Longe de ti há noites silenciosas... Há dias sem calor, beirais sem ninhos... Meus olhos são dois velhos pobrezinhos, perdidos pelas noites invernosas, abertos sonham mãos cariciosas

Súbito me encantou. A moça em contraluz. Arrisquei perguntar: quem és? Mas fraquejou a voz. Sem jeito eu lhe pegava as mãos, como quem desatasse um nó, soprei seu rosto sem pensar e o rosto se desfez em pó. Por encanto voltou, cantando a meia voz. Súbito perguntei: quem és? Mas oscilou a luz. Fugia devagar de mim e quando a segurei, gemeu. O seu vestido se partiu e o rosto já não era o seu. Há de haver algum lugar, um confuso casarão, onde os sonhos serão reais e a vida não. Por ali reinaria meu bem, com seus risos, seus ais, sua tez e uma cama onde à noite, sonhasse comigo, talvez. Um lugar deve existir. Uma espécie de bazar, onde os sonhos extraviados vão parar, entre escadas que fogem dos pés e relógios que rodam pra trás. Se eu pudesse encontrar meu amor, não voltava jamais.

Chico Buarque.

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    A moça do sonho… Essa música ❤
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